Por Roberto Carlos Rodrigues.
Não é um idioma propriamente estruturado nem tão pouco um dialeto jocoso, mas o Grapiunês pode ser considerado a Língua oficial dos antigos moradores da Região Cacaueira do Sul da Bahia. Recheada de expressões curiosas e fascinantes, com forte apelo ao sotaque nordestino, o linguajar alegre desse povo tomou vulto mundial principalmente nas obras dos escritores Adonias Filho e Jorge Amado. Esses escritores usavam e abusavam destes termos lingüísticos nas suas estórias para descrever as falas das pessoas que habitavam aquelas plagas baianas no meio do século passado
Há fortes evidências que o linguajar grapiunês se formou a partir utilização das falas matreiras dos trabalhadores rurais que viviam nas cidades do que se conhecia no século passado como a Civilização Cacaueira. Esses trabalhadores eram retirantes em maioria expressiva oriunda dos Estados de Sergipe, Pernambuco e Alagoas. O termo Civilização Cacaueira foi criado por Adonias Filho para designar toda região do Sul da Bahia que tinha naquela época o cacau com seu produto principal de geração de riquezas.
Acredita-se que esse linguajar específico do Sul da Bahia advém das junções de expressões faladas pelos nordestinos brasileiros, remanescentes indígenas, colonizadores estrangeiros e ex-escravos das antigas sesmarias e fazendas de cacau. Desse bojo lingüístico surgiu o que se conhece como o Grapiunês, um linguajar cheio de sotaques regionais dentro do lindo, porém, complexo idioma português.
Facilmente se vêem citações dos neologismos grapiúnas nas prosas de Jorge Amado, Adonias Filho, Euclides Neto, Florisvaldo Mattos, Sosígenes Costa, Jorge Medauar, Ildásio Tavares, Odilon Pinto, Hélio Pólvoras, Adelino Kfoury Silveira e mais recentemente nos textos de Daniel Thame e Romualdo Lisboa.
BAIXE AQUI O ARTIGO COMPLETO E OS VERBETES DO GRAPIUNÊS (EM PDF).
